Pereira e Damaceno Contabilidade

Planejamento Tributário 2026: eficiência e estratégia em um novo cenário fiscal

23 de janeiro de 2026
Contábeis

Com a chegada de um novo ano, é usual que as empresas, independentemente de seu setor ou porte, redefinam seu planejamento tributário em linha com o planejamento estratégico do negócio, de modo que haja uma conformidadede entre os objetivos, metas e obrigações fiscais da organização. Para 2026, diante da consolidação do modelo de IVA dual e de outras mudanças significativas promovidas pela Reforma Tributária, trata-se de um movimento ainda mais relevante, que demanda grande atenção por parte do mercado.

Nesse cenário, é fundamental que as empresas adotem uma postura mais analítica para o pilar tributário, não apenas para que o planejamento esteja adequado às novas disposições, mas também para que sirva de instrumento de gestão e competitividade, apoiado por dados relevantes, automação de processos e auditorias digitais.

Uma nova realidade prática

Como tem sido amplamente discutido, as novas disposições da Reforma Tributária que entram em vigor em 2026 dão início à mudança estrutural mais profunda das últimas décadas no país, deixando o campo do debate legislativo – ainda que muitos de seus pontos estejam em fase de construção –(ainda que muitos de seus pontos estejam em fase de construção) para se tornar uma realidade prática para os contribuintes.

Nesse sentido, no próximo ano, inaugura-se o que tem sido chamado de “fase de testes operacionais”: um momento que nada tem a ver com uma realidade simulada, mas sim com movimentação financeira efetiva, durante o qual serão calibrados os sistemas da Receita Federal e as plataformas de gestão utilizadas pelos contribuintes, a fim de que os envolvidos, de fato, se prepararem adequadamente.

A transição para o IVA dual – o novo modelo tributário brasileiro para o consumo, e queque unifica os cinco impostos atuais em dois, IBS e CBS – inaugura um período no qual será necessário que as empresas reavaliem não só suas operações, mas também o modo de captura, registro, conciliação e análise de informações fiscais. Isso porque, apesar da esperada simplificação de regras e ampliação do acesso a créditos tributários, a Reforma introduz novos parâmetros de apuração com novas formas de controle, além de uma maior dependência da qualidade das informações registradas.

Dessa forma, se antes era possível lidar com processos manuais e fluxos fragmentados, esse novo cenário inaugura um período de fiscalizações mais rigorosas – realizadas eletronicamente – e cruzamento automatizado de dados, tudo isso em larga escala. Na prática, para as empresas, erros de cadastro, falhas na classificação de produtos ou quaisquer divergências contábeis tendem a ser identificadas fácil e rapidamente, podendo acarretar em multas e distorções na apuração dos impostos.

A título de exemplo, um mecanismo que deve ser implementado é o Split Payment, que fará a separação automática do imposto no momento da liquidação financeira. Ou seja, o valor referente ao tributo será encaminhado diretamente para o governo, o que demandará, por parte dos empreendedores e donos de negócio, uma revisão adequada do fluxo de caixa e do capital de giro, visto valores de impostos não ficarão mais disponíveis.

Avaliação do planejamento tributário: criando e abraçando oportunidades

Diante desse cenário, o planejamento tributário das empresas passa a ter um papel estratégico de grande relevância, já que não se trata mais de reagir às mudanças. A construção de bases de dados unificadas, a integração entre as áreas fiscais, financeiras e contábeis e o uso de ferramentas tecnológicas – para automação e geração de análises em tempo real, por exemplo – não serão mais aspectos diferenciais no mercado, mas essenciais para que se possa garantir previsibilidade, eficiência e transparência. Assim, o planejamento deixa de olhar para o passado e para obrigações já realizadas para assumir um caráter preditivo, capaz de entender e modelar cenários e orientar decisões estruturais do negócio.

Trata-se de um movimento que, naturalmente, demandará revisões constantes no que diz respeito à operação fiscal. A partir de 2026, as empresas deverão revisitar cadastros, reavaliar parametrizações de seus sistemas, revisar políticas de créditos, entre outras atividades. São etapas necessárias para que se possa alimentar sistemas com dados precisos, a fim de fortalecer a governança e também reduzir a necessidade de retrabalho – que gera custos adicionais.

Dentro desse contexto, a tecnologia se apresenta como potencial protagonista. Soluções de automação, machine learning e auditoria digital se tornam aliadas indispensáveis na identificação de inconsistências fiscais, antecipação de riscos e adequação a políticas de compliance. Com a digitalização de processos por parte da Receita Federal, é consequentemente, as empresas precisarão operar de forma mais sofisticada, com transparência e qualidade nas informações.

Além disso, a automação permite que profissionais atuem de maneira estratégica, agregando valor efetivo ao negócio. Ao reduzir tarefas repetitivas e atribuindo maior precisão às análises, as equipes podem ter uma atuação mais consultiva, com tomadas de decisão suportadas por dados.

Portanto, as empresas não devem entender 2026 apenas como o ano em que se inicia a implementação de um novo sistema tributário. É importante que entendam como um período para se antecipar e se preparar, adequando seus processos a fim de criar uma vantagem competitiva real – e, ainda, em conformidade com as novas disposições.

Trata-se de um novo contexto que exige visão estratégica, integração tecnológica e uma governança tributária adequada e preparada para os novos tempos: um momento em que o planejamento tributário deixa de ser uma obrigação do negócio para se tornar uma oportunidade – uma das mais relevantes das últimas décadas.

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